‘Calmaria’: Quando o plot twist se torna a maior decepção do filme

Em Calmaria (2019), dirigido por Steven Knight, o público é apresentado a uma história que promete mistério, suspense e reviravoltas, mas entrega, no final das contas, uma trama confusa e cheia de furos. Com dois nomes de peso como protagonistas — Matthew McConaughey e Anne Hathaway —, a expectativa era alta. No entanto, o que parecia ser uma narrativa envolvente rapidamente se transforma em uma sequência de clichês e situações forçadas que não conseguem sustentar o mistério ou a emoção prometidos.

  1. A Primeira Decepção: O Enredo Inconsistente

A premissa inicial de Calmaria até poderia ser intrigante: um pescador solitário, Baker Dill (McConaughey), que vive em uma pequena ilha tropical, é procurado por sua ex-mulher, Karen (Hathaway), para ajudar a matar seu marido abusivo. A tensão psicológica parecia promissora, mas logo a história começa a se arrastar de forma previsível e sem brilho.

A grande falha do filme é o seu ritmo. O suspense que deveria ser constante vai se dissipando à medida que a trama se desenrola, e quando o famoso plot twist chega (sem querer dar spoilers), ele parece mais forçado do que surpreendente. O grande “revelação” do filme não causa impacto porque o roteiro falha em construir uma base sólida que faça o espectador se importar com o que está acontecendo. O mistério que se forma no início acaba se perdendo em uma narrativa cada vez mais desleixada e desconexa.

  1. Personagens Vazios e Relações Superficiais

Matthew McConaughey e Anne Hathaway são excelentes atores, mas aqui suas performances ficam aquém do esperado. McConaughey, em particular, parece repetir o papel de “homem cansado e amargurado” que já interpretou em diversas produções anteriores, sem trazer nada de novo ou relevante para a trama. Seu personagem, Baker, é basicamente uma versão simplificada e estereotipada do anti-herói que tenta carregar o peso de um passado misterioso, mas sem real profundidade ou motivação convincente.

Hathaway, por outro lado, parece deslocada no papel de Karen, que é manipuladora e emocionalmente instável, mas sem nunca convencer como uma personagem realmente complexa. Sua atuação em vários momentos soa forçada, e a química entre ela e McConaughey é inexistente, o que torna difícil acreditar na relação deles ou na tensão emocional que o filme tenta criar.

  1. O Plot Twist: Mais Frustração do Que Surpresa

Quando o filme tenta levar a história para um novo nível com o grande plot twist, o que deveria ser um momento de impacto acaba sendo um golpe baixo. Em vez de uma reviravolta que desafiasse as expectativas do público, o que vemos é uma tentativa forçada de dar profundidade à trama, mas que, na verdade, só expõe a falta de coesão e preparo do roteiro.

Ao invés de deixar uma sensação de surpresa ou fascínio, o twist parece uma manobra barata para dar um “toque final” a uma história que já havia perdido o rumo há muito tempo. O pior é que ele não faz sentido dentro da lógica do que havia sido estabelecido até aquele ponto, e acaba jogando por terra qualquer esforço de construção dramática.

  1. Cinematografia e Trilha Sonora: Estética Vazia

Outro ponto que decepciona em Calmaria é sua cinematografia. Embora a ilha paradisíaca e os cenários naturais ofereçam uma beleza visual inegável, o filme não consegue tirar proveito disso. Em vez de usar o cenário como um reflexo da turbulência emocional dos personagens, ele se limita a imagens bonitas e quase desinteressantes que não agregam à narrativa. A fotografia, de maneira geral, é fria e sem alma, mais preocupada em criar uma “atmosfera” do que efetivamente em servir à história.

A trilha sonora, embora não seja ruim por si só, também falha em envolver o público nas emoções dos personagens. Em vez de amplificar o drama e o suspense, muitas vezes parece deslocada, sem conexão real com a tensão que deveria estar se construindo na tela.

  1. O Grande Problema: Falta de Coesão

A verdadeira decepção de Calmaria não está apenas no seu enredo confuso ou nas performances sem brilho, mas na falta de coesão do filme como um todo. O roteiro parece mais uma colagem de ideias fragmentadas, e o próprio diretor parece não ter uma visão clara do que deseja contar ou transmitir. O filme oscila entre ser um drama psicológico e um thriller de mistério, mas nunca se aprofunda o suficiente em nenhum dos dois gêneros, deixando o público sem direção e, eventualmente, entediado.

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